quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pentoxifilina em úlcera venosa

No Hospital Shahid Rajaii, na cidade de Qazvin (Irã), 40 pacientes portadores de úlceras venosas crônicas foram separados em dois grupos de 20. Todos foram submetidos ao tratamento padrão de compressão extrínseca do membro afetado. Outros 20 foram randomizados para a ingestão oral concomitante de 400mg três vezes ao dia. O critério para exclusão do estudo foi a presença de insuficiência arterial avaliada pelo exame eco doppler.
Sabemos que algo em torno de 1% da população mundial desenvolve úlcera venosa crônica, com o consequente aumento das despesas médicas e repercussões na qualidade de vida. O estudo em questão mostrou uma diminuição estatisticamente significativa no tempo de cicatrização dessas úlceras quando a Pentoxifilina é associada à terapia compressiva padrão. Estudos anteriores já haviam chegado a esta mesma conclusão, tal como o de Falanga et al.
A dose de 1200mg (em 3 doses diárias de 400mg) não é consensual entre os demais autores, e parece que a dose de 800mg diárias (em duas doses de 400mg) consegue o mesmo resultado na aceleração da cicatrização.
A conclusão do estudo é de que “as anormalidades sistêmicas da fibrinólise, vista em pacientes com insuficiência venosa crônica, contribui para a formação do manguito de fibrina pericapilar, e a subsequente diminuição das taxas de cicatrização das úlceras venosas. Posteriores investigações são necessárias para determinar os verdadeiros mecanismos com os quais a Pentoxifilina atua nas úlceras venosas”, dizem os autores.
Acredito que a seriedade dos estudos e a esperada ausência de conflitos de interesses apontem no sentido de que podemos lançar mão desse recurso para o bem de nossos pacientes.
Se quiser apreciar o artigo original vá para mais.
Dr. José Amorim de Andrade
Membro da Wound Healing Society 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Spray de fibroblastos e queratinócitos em úlcera venosa

Spray de queratinócitos e fibroblastos neonatais alógenos humanos está em fase de experimentação no tratamento de úlceras venosas. O produto composto por estas células vem sendo aplicado no leito da ferida a cada 7 ou 14 dias. O estudo está em sua fase 2 e foi publicado no Lancet deste mês de agosto. Os autores, Dr. Robert S. Kirsner do Departamento de Dermatologia e Crurgia de Pele da Universidade de Miame e Dr. Leonard M. Miller da Escola de Medicina de Miami, referem uma aceleração significativa na redução da área ulcerada quando comparado com outras modalidades de tratamento.
É curioso ressaltar que todos os pacientes do estudo (228) – trata-se de úlcera por hipertensão venosa crônica – permaneceram submetidos à terapia de bandagens contensivas. A terapia compressiva/contensiva continua sendo o padrão ouro na condução terapêutica desses pacientes, não se podendo dela abrir mão exceto em situações especiais.
É provável que o uso desse spray composto por queratinócitos e fibroblastos neonatais alógenos venha a ser testado em outras feridas crônicas, tais como as de fundo isquêmico e aquelas do pé diabético.
Consta em ClinicalTrials.gov que a Fase 2 do estudo já foi concluída. Veja o resumo do artigo em The Lancet