domingo, 2 de dezembro de 2012

Sinvastatina tópica em feridas crônicas

O uso cada vez mais ampliado da sinvastatina para o controle primário ou secundário das enfermidades cardiovasculares decorrentes da aterosclerose difusa, vem provocando a discussão de suas complicações, entre elas a RABDOMIÓLISE. Desde que, em 2001. o National Cholesterol Education Program(NCEP) diminuiu, para a alegria da indústria famacêutica, o limite alvo do LDL colesterol, o número mundial de usuários das estatinas cresceu consideravelmente. Já é amplamente sabido que a necrose muscular induzida pelo uso sistêmico e prolongado dessas estatinas pode provocar a rabdomiólise cuja severidade pode variar de simples alterações enzimáticas até casos severos de insuficiência renal aguda até óbitos.
Portanto, recebemos com feliz expectativa a notícia de que o uso tópico da sinvastatina acelerou a cicatrização das feridas em estudo com ratos diabéticos.O trabalho está publicado no American Journal of Pathology deste mês de dezembro.
A dificuldade de cicatrização está entre as complicações dos diabéticos e um dos grandes desafios para o tratamento do chamado pé diabético.O estudo agora publicado do Dr. Jun Asai e colaboradores sugere que a aplicação tópica da sinvastatina promove e otimiza a angiogênese e linfoangiogênese  nas feridas de ratos geneticamente diabéticos. Desta forma a sinvastatina tópica produz uma aceleração da cicatrização.
Dizem os autores: “As conclusões do estudo sugerem que a sinvastatina tópica pode, direta ou indiretamente, estimular a neoformação linfática por intermédio da estimulação de macrófagos. A remodelação vascular induzida pela sinvastatina tem potencial terapêutico em pacientes com disfunção microvascular, como acontece na ferida do pé diabético que é uma importante causa de morbidade na crescente população de diabéticos”.
Acreditamos, e isso ainda não foi avaliado pelos autores, que a absorção tópica da sinvastatina aplicada nas feridas não alcançará concentração sistêmica capaz de provocar a rabdomiólise tal como pode ocorrer em sua ingestão oral.
Considero muito importante neste estudo a informação de que os autores declaram a inexistência de conflito de interesses. O trabalho tem o suporte do Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia do Japão.
Aguardamos os desdobramentos dessa boa notícia.
Dr. José Amorim de Andrade