Mostrando postagens com marcador amputação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amputação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Feridas arteriais dos membros inferiores

A diminuição do fluxo arterial para os membros inferiores pode contribuir para a formação de feridas que recebem a denominação de feridas ou úlceras isquêmicas.

Sabemos que a passagem do sangue diminui, parcial ou totalmente, quando placas de gordura vão se formando (ao longo da vida) e provocam o estreitamento ou o entupimento das artérias.
Úlcera isquêmica - face medial
do tornozelo





Em consequência os tecidos vão receber uma quantidade menor de oxigênio e de nutrientes que, aos poucos, vai provocando a morte desses tecidos que se manifesta pela formação de feridas ou úlceras. A esse menor aporte de oxigênio dá-se o nome de isquemia: isquemia cerebral, isquemia renal, isquemia intestinal ou mesentérica, isquemia dos membros inferiores, etc.
Úlcera isquêmica - dorso do pé




Características

  • As úlceras isquêmicas se formam, regra geral, na porção final das pernas ou em alguma região dos pés. 
  • Os pontos de pressão da região plantar provocados ao andar ou locais de atrito com calçados inapropriados também são localizações onde podem se formar feridas isquêmicas.
  • Não costumam ser muito extensas; são mais arredondadas e mais fundas do que as úlceras venosas ou varicosas.


  • O leito costuma ser escuro ou amarelado e com tecidos mortos ou desvitalizados. Muitas vezes o leito está coberto por uma casca negra (escara).
  • A perna onde se localiza a ferida costuma estar mais fria do que a perna normal.
  • Os pulsos estão ausentes ou muito difíceis de palpar.
  • O bom examinador verificará que os pelos das pernas são raros e as unhas se apresentam atróficas e deformadas.
  • Outra característica das úlceras isquêmicas é o componente DOR. Frequentemente é o sintoma que faz o paciente procurar atendimento médico. A intensa dor se manifesta especialmente ao caminhar e durante o repouso noturno.
  • Na grande maioria dos casos são feridas secas e com pouca secreção.
  • Os diabéticos apresentam maior predisposição para o desenvolvimento de feridas isquêmicas dos membros inferiores.

Úlcera isquêmica em pé diabético meses
após amputação do 4º dedo

Causas e fatores de risco


A aterosclerose - endurecimento das artérias decorrente da deposição de gorduras, colesterol e outras substâncias em suas paredes - é a causa predominante na formação da isquemia dos membros inferiores.




Além disso temos também os seguintes fatores de risco:
        • diabetes
        • sedentarismo
        • obesidade
        • dislipidemia
        • tabagismo
        • hipertensão

Como diagnosticar

Um detalhado e sistemático exame físico feito pelo médico é a mais importante ferramenta para um correto diagnóstico. A avaliação negligente do paciente arterial pode levar a consequências dramáticas, sendo as amputações o desfecho mais frequente e que poderiam ser evitados.

Alguns exames oferecem importantes informações auxiliares e complementares, tais como:
    • estudo com Doppler em suas diferentes modalidades
    • medidas do IPTB - Índice de Pressão Tornozelo/Braço
    • medida de oxigenação transcutânea
    • pressão sistólica absoluta distal e dos dedos
    • Angiotomografia e Angiorressonância

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Pé diabético - estado psicológico e cicatrização

Investigação levada a cabo por psicólogos da Universidade de Nottingham (Reino Unido) mostra o impacto das crenças e expectativas dos pacientes portadores de úlceras nos pés sobre o processo de cicatrização dessas feridas. 

Esse estado psicológico e emocional impacta também na sobrevida desses pacientes. Esse estudo foi publicado na revista PLoS ONE e confirma o resultado de outros estudos que demonstram "o impacto negativo da depressão e da ansiedade sobre os resultados clínicos independentemente da qualidade do  acompanhamento e dos cuidados".

Aliás, temos verificado na prática diária no tratamento das feridas cônicas, como o estado emocional dos pacientes pode interferir positiva ou negativamente na evolução da cicatrização.

Sabemos que os pacientes diabéticos, quer seja tipo 1 ou 2, enfrentam um risco oito vezes maior de sofrer algum nível de amputação quando comparados com a população não diabética. 

Além disso está documentado que um em cada quatro portadores de diabetes vai desenvolver uma ferida ao longo de sua vida e 85% das amputações são precedidas por essas feridas.

Tudo isso decorrente do acometimento neurológico e/ou circulatório (vascular) na região das pernas, dos pés ou ambos.

Nesse estudo da escola de Medicina da Universidade de Nottingham (que é uma escola pública), 169 pacientes diabéticos, com idade média de 65 anos, foram acompanhados durante cinco anos. 

Todos foram entrevistados regularmente e eram feitas avaliações com relação à evolução de suas úlceras.  

A intenção dos pesquisadores era testar a hipótese de que perspectivas, crenças e emoções negativas sobre os sintomas e os cuidados aplicados poderiam levar esses pacientes a uma expectativa de vida mais curta.

Além de todos os dados concernentes ao controle do diabetes e tratamento das feridas, os pacientes eram também avaliados quanto ao nível de depressão. 

O tratamento das feridas seguiu o mesmo protocolo para todos os 169 pacientes.

Dados sobre mortalidade e sobrevida foram coletados entre 4 e 9 anos do início do estudo.

Em 9 anos 104 pacientes estavam vivos e ocorreram 56 óbitos. 

Seis pacientes, por alguma razão, não concluíram a pesquisa. 

Um em cada três desenvolveram infecção de suas feridas.

A análise mostrou que os níveis de depressão estavam associados à sobrevida. 

Entre os que faleceram no decorrer do estudo, a depressão e as expectativas negativas estavam fortemente presentes. 

Ou seja, os pacientes com postura e emoções mais negativas quanto aos seus sintomas e à sua ferida chegam ao mais precocemente.

Podemos daí concluir o quão relevante é o esclarecimento ao paciente. 

Procurar, em conjunto com os familiares, resgatar a autoestima e o autocontrole emocional.

Muitas vezes poderá ser necessário o suporte psicológico especializado.

A atitude do paciente com relação ao enfrentamento do diabetes e ao que está sendo proposto para os seus curativos, seus calçados, seus cuidados de higiene, etc. precisa ser o mais positiva possível. 

A interação - positiva ou negativa - entre a mente e o corpo podem determinar o sucesso ou o fracasso do tratamento.

Fonte: https://www.e-pansement.fr/actualites/ulcere-du-pied-diabetique-pourquoi-lattitude-du-patient-est-determinante